The Best of Megève – Part #2

Abril 4, 2013 in GLOBETROTTER, MY HAPPY SELF

Aprender a nunca dizer nunca é uma lição difícil de assimilar. Já engoli tanta coisa que disse que nunca faria… mas a verdade é que insisto! – Continuo a achar que nunca vou colocar unhas de gel e extensões no cabelo. Acho que nunca vou comer baratas, gatos, rãs e cães. Acho que nunca vou fazer bumjee jumping e saltar de pára-quedas. Acho que nunca irei fazer uma viajem ao Alasca nem fazer um triatlo. Acho… mas certeza, certeza, não tenho, certo?! – Então porque temos sempre a tendência arrogante de dizer… ” a mim, nunca me vão apanhar a fazer isto ou aquilo, a comer isto ou aquilo, a usar determinada coisa, cor… a ver um certo filme ou programa…. a fazer um desporto!” – A vida vai tentando ensinar-nos que não vale mesmo a pena dizer nunca, porque nunca é um conceito tão relativo como as não certezas da vida. Ninguém sabe como será o dia de amanha, por isso, o simples conceito de dizer que “nunca se fará determinada coisa”, é pura arrogância!

Isto para vos contar que comecei por dizer que nunca iria passar férias na neve. Nos meus anos de jovem adulta, tive muitos convites que reclinei, simplesmente porque achava que a neve não era um programa para mim. Sou filha de África, nasci com o calor e trago o sol no coração. Tenho um tempo limitado de férias que posso fazer por ano… porquê gastar uma semana e pagar para apanhar frio?? Ou seja, ir à neve, para mim, até o Rui aparecer na minha vida, estava na lista dos NUNCA. Sem qualquer tipo de dúvida! Mas o Rui, da forma mais querida que soube e conseguiu, um dia conseguiu levar-me pelos caminhos da montanha.

Lá fui, cheia de reticências, cheia de MAS e, claro, como quase tudo o que acabo por fazer depois de muita resistência… gostei! – Tenho de admitir que sempre com muitas reticências e medos e “mas” mas a verdade é que gostei o suficiente para voltar. Não foi um amor tão arrebatador que me tivesse custado não ir durante os tempos das gravidezes, das fraldas e dos bebés… Mas depois de uns anos de interregno, voltámos, em família, quando a Clarinha tinha 4 anos e deste aí não deixámos de ir. Eu aprendi a gostar cada vez mais de fazer ski e, principalmente, aprendi a adorar ver os meus filhos divertirem-se, superarem os seus medos (ou não, nem sei… ) e a construírem uma parte importante da sua auto-estima. Aprendi que adoro ver o meu marido feliz, que encontrámos uma atividade que todos adoramos fazer e que nos traz a um ótimo estado de boa energia.

Mas havia sempre um NUNCA na minha lista. Era o NUNCA das pistas Pretas. Nunca, jámais… Não era para isso que eu ia para a neve! Nem sequer entendo a busca de adrenalina que está implícita na descida de uma pista íngreme e com um maior grau de dificuldade… O que seria?!.. não ia para ali para me partir toda. Faço ski por puro prazer de apreciar a paisagem…. quanto mais fáceis forem as pistas melhor…bla, bla, bla…. E assim, as Pistas Pretas eram o meu eterno NUNCA.

Foi preciso cruzar-me com o instrutor de ski mais cool e feliz que o Universo algum dia poderia ter colocado no meu caminho para em 2013, em pleno dia de nevão e nevoeiro, sob as piores condições climatéricas que possam imaginar, eu descer a minha primeira, que acabou por ser honrosa, pista preta!

Na verdade, para além da lição de humildade que devemos todos levar de tentar não dizer NUNCA, acho ainda mais importante a lição que tirei e que posso partilhar da forma como este instrutor conseguiu levar a àgua ao seu moinho na maior boa onda e positividade.  Sem pressões nem imposições. Sem nenhum truque de persuasão ou de psicologia invertida. Na verdade, a única razão porque este, dos vários instrutores que já tive, me conseguiu levar para uma pista preta (e garanto-vos que a coisa não era evidente) foi porque é um homem visivelmente feliz, viajado e arejado. De bem com a vida. Algumas pessoas são mesmo assim! – E foi assim, com boa onda, um sorriso e na companhia da minha grande amiga e companheira de aventuras, Natacha Villas Boas, que também foi praticamente uma estreante nas lides da “piste noire”,  que eu adorei fazer uma pista preta! – Principalmente porque, depois, qualquer pista azul, me pareceu extra-facil e porque superei mais um dos meus medos e inseguranças!

Mais do que gostar de saber se já se aventuram alguma vez por uma pista preta, vou adorar que partilhem, pelo menos um dos vossos “NUNCAS”.

In English

WE SHOULD NEVER SAY NEVER!

Learn to “never say never” is one hard lesson. I keep doing things that I said I would never, ever do … but the truth is that I insist! – I still think I’ll never put gel nails and hair extensions. That I’ll never eat cockroaches, cats, dogs and frogs. That I’ll never do bumjee jumping and parachute jumping. I think I would never travel to Alaska or do a triathlon. I think … but sure, sure, I’m not, right?! – So why do we always have the tendency to be so arrogant … “As I see it, I will never do this or that, eat this or that, use something or a certain color … watch a certain movie or show …. do a sport!?” – Life is always trying to teach us that it’s not worth to say never, because never is as relative as life it self. Nobody knows what tomorrow will bring, so the simple concept of saying “never do a certain thing,” is pure arrogance!

I started out long ago by saying that I would never go on a ski trip. In my young adult years, I had many invitations that I keeped declining, simply because I thought being around snow wouldn’t be my thing. I was born in Afric and I carry the sun in my heart wherever I go. I have a limited  vacation time … why spend a week and pay money to go to the cold? So, skiing until Rui appear in my life, was definitely a NEVER in my list. But Rui, in a most darling way, managed, to take me up to the mountain!

And there I was, full of ifs and buts, of course, like almost everything that I end up doing after much resistance … I liked! – I must admit, always with reluctance and many fears and “buts” but the truth is that I liked enough to return but not terribly that had cost me not to go during the years of pregnancies and babies’ diapers and … After a few years of interregnum, when the family returned Clarinha was 4 years old and this is not where we stopped again. I learned to like more and more of skiing and mostly learned to love seeing my children overcome their fears and build an important part of their self-esteem. I learned that love seeing my husband happy, we found an activity that we all love and that brings us to an awesome state of good energy.

But there was always a NEVER on my list. It was the Black Slope NEVER. Never ever … I would never ski in a black slope! I never even got the concept of the adrenaline rush that is implicit in going down on a more steep and dangerous slope … Why on earth?!..definitely not my thing! I ski for the pure pleasure of enjoying the scenery …. the easier the slopes the better … bla, bla, bla …. And so the Black Slopes were my eternal NEVER.

It took the coolest and happier ski instructor that the universe could possibly have ever put in my path, for in 2013 and on an heavy day of snowfall and fog, under the worst weather conditions you can imagine, for me to get on my first, which turned out to be honorable, black slope!

Actually beyond the lesson of humbleness that we should all take from trying never to say NEVER, I think the more important lesson was how he managed to “bring water to his mill” by pure happiness and high energy.I n fact, the only reason why this one off several instructors I had, managed to take me on that ride, was because he was visibly happy, traveled and super positive. Some people are just like that! – And so, in the best vibe, an honest smile and in the company of my good friend and fellow-adventurer (Natacha Villas Boas) I absolutely loved going down on that black slope! – Mainly because after that experience any blue slope seemed extra-easy and because I overcame one more out of all my fears and insecurities!

I am now more curious about knowing your “I will never do that” list than actually if you are also scared of black slopes, just like me.