Somos Campeões!

Julho 11, 2016 in BRIGHT MINDS, RANDOM STUFF

Campões da Europa

Ainda antes de responder às perguntas dos jornalistas na sala de imprensa do Stade de France, após a conquista do título europeu, Fernando Santos tirou um papel do bolso com um pequeno texto que tinha escrito em Marcoussis, quatro semanas antes:

«Em primeiro lugar quero agradecer a Deus, Pai, por este momento e por tudo na minha vida. Uma palavra especial para o presidente, Fernando Gomes, pela confiança que sempre depositou em mim. Não esqueço que comecei com um castigo de oito jogos pendente. A todos na federação, que viveram estes meses comigo. Aos jogadores, dizer mais uma vez que tenho um enorme orgulho em ter sido treinador deles. Destes e daqueles que não puderam estar presentes. A vitória também é deles. O meu desejo agora é ir para casa, e dar um beijo do tamanho do mundo à minha mãe, mulher, filhos, neto, genro e nora, e ao meu pai que, junto de Deus, está seguramente a celebrar. E aos meus amigos, muitos deles meus irmãos. Muito obrigado pelo apoio e pela amizade. Por último, mas em primeiro, ir falar com o meu maior amigo e sua Mãe: dedicar-lhe esta conquista e agradecer por me ter convocado, e concedido o dom da sabedoria, perserverança e humildade, para guiar esta equipa. E ele por a ter iluminado, e porque tudo o que faço é para glória do seu nome

Ontem, dia 10 de Julho de 2016, Portugal ganhou uma final do Campeonato da Europa contra a equipa anfitriã, a França. Esta merda é história ou é história? E venham dizer-me que foi “igualzinho” ao que aconteceu à Grécia quando ganhou a Portugal em 2004… Não, peço desculpa mas foi muito, muito melhor. Ganhar a França em França não equivale a ganhar a Portugal em Portugal. Foi maior, mais insólito, mais avassalador e, pelos vistos, bastante mais controverso, caso contrario a linda Torre Eiffel ter-se-ia vestido de encarnado e verde no dia da nossa consagração como estava previsto. Ontem, França assumiu-se um pais humilhado e mau perdedor. Não tenho nada contra Franceses, nunca nenhum me tratou mal, pelo contrário. Nem vejo nunca futebol como uma guerra de países. É uma disputa de clubes! Por favor não percam o foco e não tornem isto no que não foi. Já li coisas como… “afinal não sou Charlie”… Não misturem Terrorismo com Bola, por favor.

Não façamos nós aos outros o que não gostámos que nos tivessem feito a nós.

Com toda a honestidade, a melhor lição que devemos tirar desta nossa prestação no Euro 2016, foi o exemplo de humildade que os nossos miúdos nos deram. Que grande diferença de atitude para campeonatos anteriores…. uma lição a reter! Nos depoimentos, no campo, no banco… Fomos uma equipa amiga, coesa e civilizada. Fomos corajosos, nunca baixámos os braços, nunca desistimos. Não batemos, não empurrámos, não fizemos jogo sujo, mesmo sendo provocadíssimos, como foi o caso deste ultimo jogo em que a equipa adversária se atirou para cima do nosso capitão com ganas de sangue! Uma vergonha. – Chorámos, mas não batemos. Não jogámos o mesmo jogo. Nunca perdemos a calma e a compostura. E no fim, fomos bafejados pela sorte, porque a sorte acompanha sempre quem tem as melhores intensões . É a velha história do Karma… Não falha.

Com humildade e assumindo que percebo pouco de bola e taticas desportivas, fiquei com a total convicção que esta nossa equipa ganhou ontem porque tinha um pilar muito forte chamado Fernando Santos. Acho que esta foi a principal diferença que nos distinguiu de prestações em anos e campeonatos anteriores. Este nosso selecionador elevou os padrões. Ontem quando ouvi o discurso que leu antes da conferencia de imprensa, percebi o alcance da sua Fé em Deus, da sua humildade, modéstia e simplicidade.

Hoje acho que ganhámos por um conjunto de circunstâncias que foram da excelência do nosso selecionador e jogadores, à sorte, aos acasos à energia de 11 milhões, às melhores intenções e a uma fé inquestionável.

E mal sabíamos nós que ontem, quando os jogadores de França lesionaram o nosso Capitão que “por acaso” se chama Cristiano Ronaldo e é o melhor jogador de futebol do mundo, nos estavam a abrir a janelinha para a vitória.

Já toda a gente falou na traça… Eu não vi uma traça. Eu vi uma borboleta, que insolitamente pousou no nosso craque na triste hora em que ele é confrontado com a lesão e a impossibilidade de continuar em campo na tão almejada final. Aquela borboleta foi um sinal de Deus. Aquele Deus que nos aparece nas pequenas coisas. E eu disse para quem estava comigo… “O Ronaldo vai sair, mas nós vamos ganhar”. Vi naquela borboleta um sinal de proteção. E a verdade é que o nosso capitão conseguiu fazer mais fora das quatro linhas do que dentro sempre com 6 homens à sua volta prontos para o ceifar. Ontem ficou provado que a luz que aquele jogador tem vai para além das suas pernas e dos seus reflexos. A sua fé também mandou aquela equipa para a frente. A sua garra, as suas orações e a sua força interior. Ontem percebemos que no dia em que deixar de jogar à bola profissionalmente será certamente um grande treinador. Quem sabe, tão bom como aquele que nos levou ontem à vitória. Ontem tivemos muitos “Homens do Jogo”… Desde o Rui Patrício, que não deixou entrar uma bola naquela baliza, ao Edér que marcou aquele golaço, ao Pepe que ganhou a distinção com mérito, ao Cristiano que fez mais fora das quatro linhas do que se imaginaria…. A lista continua… fomos uma equipa de “Homens do Jogo” mas o nosso selecionador Fernando Santos e a sua postura foi a grande estrela deste evento. É dele que devemos tirar a maior lição de todas… A lição da Fé.

E quando a festa acabar e as vuzuzelas se calarem, não se esqueçam do mais importante… Ganhámos porque acreditámos. Foi uma força maior que nos levou mais longe!

BEIJINHOS, MARIA