No te vayas a la trastienda!

Maio 7, 2015 in GLOBETROTTER, HEALTH & BEAUTY, MY HAPPY SELF

marrakech

Como maior parte de vocês já começa a fazer uma ideia, sou uma medrosa para umas coisas e depois para outras sou a pessoa mais descontraída do mundo. Tenho medo de andar num tele-ski no pico dos Alpes, onde tudo funciona com a precisão de um relógio, mas sou capaz de me atirar para as vielas da medina em Marrakech com uma descontração assim até meio inconsciente…

No sábado de manhã, do nosso fim-de-semana em Marrakech, saímos do Riad que ficava na parte norte da medina e, sempre a pé, fomo-nos dirigindo para o souk… sem mapa nem guia. Duas amigas tugas, na pura descontração. No hotel avisaram-nos para, se nos sentíssemos perdidas, não perguntarmos direções a miúdos de rua. – Façam sempre as perguntas aos proprietários das lojas! –  E assim fomos fazendo… quando achávamos que estávamos a caminhar para um beco sem saída, perguntávamos onde era a Praça Central e os comerciantes, quase todos muito simpáticos, lá nos iam dando direções.

A certa altura a minha amiga Natacha que  é filha de uma espanhola cheia de raça, daquelas que vive em Portugal há 40 anos mas que falará sempre, e com orgulho, um português atravessado de castelhano (vulgus portunhol) vira-se para mim e diz… Não podemos ir para trastienda! Foi a única coisa que a minha mãe me disse antes de vir. “No te vayas a la trastienda!!”

E eu… O que é que isso quer dizer? traduz…

É para não nos deixarmos levar para a parte de trás das lojas… para não sermos roubadas!

Sim… o que seria?! Também não somos tão tontas que fossemos cair nesse truque básico de ir para a parte de traz de uma loja!

E entre risos lá seguimos caminho… As mães preocupam-se com cada coisa… para elas é como se tivéssemos 8 anos a vida toda! Enfim…

Uma das nossas primeiras paragens foi à porta de uma loja que nos seduziu pela cor que tinha cada cesto. Parámos para ver… bagas, pétalas, chás, ervas medicinais… à porta estava escrito em letras encarnadas House of Happiness e eu gostei logo do titulo.

Uma rapariga de bata branca (em cima na foto) que minutos mais tarde viríamos a saber que era casada com um senhor Português originário de Coimbra, veio ter conosco e começou a explicar o que poderíamos fazer com cada erva, cada baga, cada fruto seco… de um momento para o outro as possibilidades daquela ervanária pareciam conseguir superar qualquer avançado Institulo La Prairie na Suiça.

A rapariga da bata branca convidou-nos a entrar. Primeiro para a loja e logo a seguir para um pequeno compartimento cheio de frascos com ervas. – Entrámos.

Começou por nos explicar os vários benefícios do óleo milagroso de Argan e passámos rapidamente para os óleos essenciais, para os chás afrodisíacos (que ela sabia, à partida, que os nossos maridos não precisariam uma vez que Portuguese men are very active!), ervas que acabam com o ronco noturno, pó de caril para o frango, gotas calmantes e oleos de masssagem para lesões várias. Não ouve nada que não nos animasse… queríamos comprar tudo… até o afrodisíaco, nunca se sabe o dia de amanhã!

Numa placa escrita à mão anunciavam Back Massage2€. E eu, que dou tudo por um mini spa, olhei para a placa e para a nossa amiga de bata branca como quem sugere… Não era nada mal pensado… Uh?!

Would you like a back massage? Perguntou. Entreolhamo-nos… Why not?! Lá mandaram vir mais uma moça de bata branca e no minuto a seguir quando tomei consciência, estavamos numa sala dos fundos em cuecas e sutien a ser massajadas por duas senhoras que tínhamos conhecido há 5 minutos numa loja que anunciava a felicidade no meio de um souk em Marrakech. Nesse momento caiu-me a  ficha… Estávamos, efetivamente, no lugar onde não era MESMO suposto… em Transtienda! Pior… estavamos despidas em transtienda! – Tivemos um ataque de riso… como se tivéssemos 8 anos e estivessemos a fazer exatamente o contrario daquilo que a mãe tinha mandado. Afinal… as mães lá sabem o que dizem!

Foi assim que começou o nosso sábado em Marrakech. Imaginem o resto….

Herboriste La Sagesse

[www.herbesagesse.com]

beijinhos

 

P.S.- A frase escrita da forma correta é “No te vayas a la transtienda” e não da forma como comecei por escrever “No vayas transtienda”. Tantos anos a ler a Hola! e continuo a não perceber nada de Castelhano!