My favourite love songs #3

Maio 12, 2014 in BOOKS & SONGS

Nesta minha série de Canções de Amor, não podia faltar a mítica Perdidamente dos Trovante. Ouvi-a tantas vezes nos meus anos da adolescência que não foi difícil decora-la. Os meus filhos já me a ouviram cantar tantas vezes que também acabaram por a decorar, assim fiquei eu a saber na semana passada…  E é aqui que entra a história de hoje. – Uma história deliciosa sobre “desenrascanço” – aquela arte tão portuguesa do “improviso às três pancadas” mas que, normalmente, resulta sempre! – Contada pelo meu filho Salvador que está a provar ser um mestrado nesta tão nobre arte…

– Mãe, nem vais acreditar o que me aconteceu! – A professora de Português tinha mandado trabalho para casa “Copiar uma poesia de um autor à nossa escolha para depois ler na aula” e eu esqueci-me!

– Outra vez Salvador. Como é possível?? Quantas vezes te perguntei se não tinhas trabalhos de casa?? Não podes continuar a ter faltas por não fazeres trabalhos de casa!!!! (Eu a começar a ficar furiosa…)

– Espera Mãe… deixa-me contar até ao fim….

– Não há fim nem meio fim… há fazer os trabalhos de casa e mais nada! (Eu já mais para o furibunda de tantas vezes repetir a mesma coisa)

– Mãe ouve! – Eu não tive falta! Correu tudo bem! – Eu disse que não tinha escrito porque tinha decorado! E levantei-me e disse o poema da Florbela Espanca… O do Ser Poeta! Aquele da música do Tio João!!

– Como assim?! Sabias a letra toda??? Sabias o poema todo???? (Eu BASTANTE incrédula…)

– Sim Mãe todo! – A Professor amou! Ficou impressionadíssima por eu o ter decorado! Fui-me lembrando da música e dizendo o poema devagar…

– Diz então outra vez para a mãe ouvir! (Desconfiada esta mãe já muuuuito escaldada…)

E ele disse. Tudo na perfeição. Pausadamente e sem hesitar!

Claro que não me consegui zangar mais. Fiquei rendida ao verdadeiro “desenrascando ibérico” do meu filho Salvador! – A verdade é que vai precisar mais vezes disto na vida!!!

 

 SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
é condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca /João Gil

 

Querido tio João (Gil), nem tu sabias, no dia iluminado em que eternizaste este poema para sempre na cultura popular deste nosso pais, que um dia, um Salvador distraído se ia safar, tão bem, à tua conta!

 

UM GRANDE BEIJINHO E UMA 2ª FEIRA CHEIA DE LUZ PARA TODOS!!

MARIA

P.S. – Das que conseguiram roubar 4 minutos ao dia para ouvir esta versão da música cantada ao vivo pelo Luis Represas no Rock in Rio, acompanhada ao piano e a milhares de vozes, contem-me quem também se arrepiou??