Eu, o Padel e uma marca que se chama Mesh

Abril 24, 2014 in IN THE PRESS, MY HAPPY SELF

Algumas de voces possivelmente viram esta reportagem na revista Lux desta semana em que me apresento desmaquilhada e mascarada de “Padeleira”, literamente, apanhada na curva num torneio onde pensei que passaria ligeiramente mais despercebida. Achei que a devia partilhar convosco não só porque a reportagem ficou gira mas principalmente porque acho que posso deixar aqui escrito qualquer coisa um pouco mais relevante do que se tenho, ou não, uma boa figura aos 42 anos…

Não queria deixar passar esta oportunidade para vos falar também da Mesh e do Padel e do Padel e da Mesh…mas tenho de começar pelo principio. Este post é para ler com tempo e paciência. Se estão a correr, deixem para outro dia.

Por onde é que eu vou começar?! …

Quando tinha 5 anos sonhei ser bailarina. Sonhei, depois planeei e depois pedi para ir para o ballet. Um dia fui com a minha mãe a Lisboa comprar as sapatilhas, a rede, os collants cor-de-rosa e toda essa antecipação me parecia boa de mais para ser realidade. Quando tive a minha primeira lição, percebi que ballet, ao contrario do meu sonho sonhado com 5 anos… resumia-se a uma “professora má” (que hoje percebo que possivelmente seria só uma profissional muito exigente, sem grande desembaraço para dilemas da infância e meninas com pouco talento para a dança) e uma pequenina muito desajeitada que não acertava com o plié e deitava a língua de fora para se conseguir concentrar a colocar os pés na impossível posição de dez para as duas. A experiência deve ter durando 1 mês. Na minha memória ficou o rótulo da aselha e a imagem que imaginei de mim (depois de ouvir o relato “humorado” da minha mãe que um dia foi assistir a uma aula) foi má de mais para continuar. Nunca mais fui para o ballet e nunca mais quis fazer qualquer tipo de desporto. Uma criança com 6 anos que veste a camisola da “desajeitada” muito dificilmente a consegue despir. Fui fazendo ginástica curricular sempre sem grande brilho até que um dia com 12 anos tive um problema num joelho me levou a estar em casa durante 4 meses. Não perdi o ano, consegui recuperar a parte acadêmica mas fisicamente fiquei com um carimbo de inapta para qualquer tipo de desporto. Tinha “joelhos de bailarina” – imaginem a ironia do diagnostico (para a rapariga que teve 3 aulas de ballet…) e não podia usar ténis nem fazer movimentos bruscos porque tinha duas rótulas mal formadas o que me provocava fortes inflamações nos meniscos a toda a hora. Enfim…. que alívio. Já não tinha mais nada que provar a ninguém. Finalmente estava livre para nunca mais ter que competir. Não tinha nascido para o desporto e o universo dava-me, de mão beijada, a melhor desculpa para nunca ter que “ir a jogo”.

Quando, com 17 anos, fui viver para a Florida, aterrei numa família que acreditava muito pouco em limitações físicas. Um dia puseram-me uns ténis nos pés (coisa que não fazia parte do meu “guarda-roupa”) e levaram-me para uma caminhada. Passado alguns dias estava a correr. E corri quase todo o tempo que lá vivi. Incentivaram-me a inscrever-me na equipa de Track & Field e apesar de nunca ter tido nenhuma vitória, vesti a camisola, esforcei-me. Aprendi que não tinha assim tantas limitações como me tinha sido imposto desde sempre e isso poderá ter sido o principio de uma vida menos sedentária uma vez que nunca adorei praticar natação e até àquela altura era a única porta que tinha aberta para não estar completamente parada.

A partir daí e depois de voltar nunca mais perdi o contacto com o exercício físico. Nunca pratiquei nenhum desporto de grupo nem competi mas faço ginástica com regularidade e adoro andar de ténis. O problema nos joelhos passou com o crescimento e com a pouca importância que acabei por lhe dar.

Com 27 anos aventurei-me a fazer ski, desporto que me tinha sido proibido desde sempre por massacrar os ligamentos em especial os joelhos. Passei pela experiência sem trazer nenhuma mazela e tenho voltado todos os anos. Não me meto em grandes aventuras mas lá vou… feliz e divertida!

Quando, há 5 anos, as minhas amigas me começaram a falar no Padel… nem liguei. Para mim, que nunca joguei nada, nem raquetes de praia, participar num desporto em que tinha que formar uma equipa e competir nem entrava no meu léxico. Já tinha corrido – sozinha. Já tinha esquiado – sozinha. Uma pessoa que não tem jeito para o desporto não se mete em equipas. Uma menina que deita a língua de fora para conseguir colocar os pés às dez para as duas, não tem de obrigar ninguém ao seu embaraço. E assim, a conversa do Padel foi passando ao lado.

Mas vai dai que as minhas amigas “Padeleiras” começaram a ganhar torneios. Primeiro uma, depois outra e outra. A coisa começou a ficar mais séria quando  comecei a ouvir falar em “lesões” e vê-las de “perna engessada” efetivamente…. coisa de atleta mesmo!  Umas até já andavam em torneios Ibéricos. Todas as nossas conversas acabavam, invariavelmente, no Padel… Que era giro, o máximo, e o que elas se divertiam e que risada que foi aquele jogo e depois de jantar vou ter contigo, hoje quem joga? – Lord… confesso que nada me impressionou tanto quanto quando, pela primeira vez, vi as fotos da Mesh. A marca de roupa de Padel e Ténis que a Catarina lançou. Bom… a coisa estava mais séria do que eu imaginava! De um momento para o outro, tinha um amigo que deixou de ser executivo para se dedicar a tempo inteiro a ser  instrutor de Padel, amigas campeãs e uma amiga com a sua própria marca original e registada com fatos lindos desenhados por ela e feitos em Portugal. Que orgulho!

Na página de Facebook da Mesh comecei a vê-las com ar divertido em torneios, felizes e a parecerem umas bonecas com aqueles vestidos coloridos… materializaram-se as conversas dos últimos 5 anos. Eu finalmente vi as aventuras contadas. E um dia, sem saber muito bem como, muito possivelmente atraída também pela imagem plástica que um dia, há muitos anos tinha atraído aquela menina desajeitada de 5 anos a querer ir fazer ballet, quando me desafiaram mais uma vez para ir experimentar, lá fui. Mal equipada e sem raquete… num sábado frio de Novembro eu tive a minha primeira lição de Padel.

Como já podem imaginar … adorei! Não sabia pegar na raquete nem fazia a menor ideia de nada mas fui indo. Sábado após Sábado lá ia eu… bater bolas, rir, brincar. Nunca ia jogar. Ia ter lições, só lições. Maria, quando vens jogar? No dia de “São Nunca”… o que seria ir jogar. Coitada de quem fosse o meu par. Ninguém ia querer ser o meu par. Para perder? Deixa estar. Vou continuar a ter lições e a treinar.

E foi assim, sem um único jogo no meu pobre curriculum, que um dia “me inscrevi” (porque na verdade inscreveram-me) no primeiro Torneiro Flash Mesh Club VII organizado pela minha amiga Catarina Vilarinho e as suas sócias Sara Leitão e Vera Eloy. De um momento para o outro a Mesh era uma marca à séria, estava no mercado, estava a vender bem (com pequenas representações em clubs de ténis) e impunha-se uma apresentação oficial, por isso organizaram o torneio com maior adesão feminina que já vi em algum evento nos últimos tempos. Eram mulheres às pazadas! Quase todas de porte atlético e muito divertidas. Muitas delas vestidas de Mesh, como seria de esperar, ou seja, uma salada de fruta de corpos saudáveis e gargalhadas de miúdas giras.

Eu, senti-me a aterrar noutro planeta. O planeta do Padel noturno, com holofotes e mojitos para confraternizar depois dos jogos. Como seria de esperar e apesar de ter sido par da Catarina que joga nas horas, não conseguimos ganhar quase nada. Eu nem via as bolas. Não sabia de onde vinham nem para onde iam. Nem sabia contar os pontos nem se a bola tinha ido fora. … nesse dia cheguei à conclusão que estes últimos meses de aulas semanais tinham-me ensinado a pegar na raquete e pouco mais. A dinâmica do jogo aprende-se a jogar. E disso eu tinha pânico. Por todas as razões que já vos expliquei e possivelmente por outras que eu nem sei. Acho que nenhuma das minhas amigas que me arrastou para aquele torneio alcança o bem que me fez. Porque maior parte delas nem sabia da estória da bailarina desajeitada. Há sempre uma razão por trás de outra razão. E viver é isso mesmo… lutar contra preconceitos e ultrapassa-los. O que é uma reta sem espinhas para uns, pode ser uma montanha atribulada para outros. Para mim, e pelo percurso que tive, jogar fosse o que fosse na vida, que envolvesse destreza física, nunca seria uma coisa evidente. “Uma desajeitada nunca acerta!” Mas uma desajeitada quando um dia percebe que só não acerta no que não quer e só não faz aquilo a que não se propõem… torna-se numa desajeitada com pinta!

Por todos os momentos ultra divertidos que tenho passado nos últimos meses a jogar Padel, obrigada à Mesh pela inspiração, pelo empurrão que me deu sem saber. E tenho que dar os parabéns à minha amiga Catarina pela criatividade e pela bravura de se lançar para a frente numa altura em que o país estava a andar para trás! Tenho a certeza que o mundo ainda vai ouvir falar nesta marca de roupa de Padel pouco ortodoxa… com cores, folhos e riscas néon. Com Mesh as miúdas ficam giras e poderosas! E é isso que a malta quer.

A Marca Mesh vai estar muito em breve à venda nas lojas El Corte Inglês. Até lá podem comprar diretamente no site Mesh no Facebook [AQUI] ou através de contacto direto [info@meshsportswear.com].

Vou deixar-vos com imagens do torneio e um vídeo divertidíssimo de um flashmob que as “prós” do Padel  (onde obviamente eu não estava incluída) fizeram para animar, ainda mais, o evento! – Venham mais torneios Mesh!

[No final da noite eu troquei de roupa e vesti a saia nova da Mesh que comprei nesse dia. Fiquei logo mais gira!]

[Um pormenor das miúdas Mesh]

[Eu e a minha parceira, que neste caso é a criadora da marca Mesh, a Catarina Vilarinho de quem falei no post]

[Eu e a minha saia Mesh nova. Super retro… adoro!]

[Entre jogos houve tempo para muita coisa… até para fazer compras e preparar os kits para próximos torneios]

[Com direito a Dj e bar de mojitos. A sério!? Por isso é que todas gostam de ir a torneios de Padel…. Está explicado!]

[Estes sorrisos de felicidade não deixam margem para duvidas, pois não?! – A equipa campeã da noite! Entre elas as minhas queridas amigas Mariana Rosa (de cor-de-rosa) e Filipa Melo (a loira sorridente no cimo do bolo… tipo cereja) e as suas companheiras: Isabel Costa, Carlota Crespo, Inês Eiró e Sofia Sarmento.]

Esta saia e este vestido são os meus preferidos de toda a coleção mas não faltam modelos giros para todos os gostos! [MESH on-line store]

Bom… só me resta deixar um beijinho muito especial para as que me leram até ao fim. Bom feriado!!

MARIA

[O meu Instagram desse dia. Eu, a Madalena e a Natacha. As minhas companheiras de Padel e de tantas aventuras boas. A minha vida sem vocês não tinha metade da graça!]