Entrevista by Revista Caras Decoração

Abril 9, 2013 in IN THE PRESS, MY WORLD OF INTERIORS

MUNDO DE COR

Já está nas bancas a edição de Abril da revista Caras Decoração. Na entrevista, fizeram-me perguntas sobre cor, inspiração, tendências e casas felizes! – Deixo-vos aqui as minhas respostas! – Espero que gostem.

Como nasceu o gosto pela decoração?

Vem de sempre. De construir casas para as minhas bonecas, de organizar os armários em casa dos meus pais quando ainda era muito pequena, de redecorar o meu quarto de infância e adolescência, de gostar de ver sempre cada coisa no seu lugar, de ter adorado decorar a minha primeira casa quando ainda tinha só 20 anos e de ter percebido cedo que se me profissionalizasse poderia fazer desta minha paixão uma profissão que me traria muitas alegrias.

E como surgiu e foi crescendo esse seu gosto pela utilização da cor em casa?

Acho que vem de nascença. Como a maioria das crianças, sempre fui muito atraída pela cor. Depois cresci e nunca me deixei “acinzentar”. É assim que eu interpreto este assunto. Depois ainda existe a forma como cada um de nós vê o mundo. Eu vejo assim. As sombras e as cores indefinidas e muito desbotadas dizem-me muito pouco. Não me provocam grandes emoções… acho que anda por ai…

Com a chegada de mais horas de sol e as temperaturas amenas, apetece começar a usar cores mais apelativas nos interiores. Que conselhos daria aos principiantes?

Uma jarra com flores coloridas é um truque muito fácil para dar cor a um espaço e funciona quase sempre muito bem! – A primavera é a estação das flores por isso devemos aproveitar a variedade e o colorido todo que nos podem oferecer. – Frascos de vidro ou taças com frutas também dão cor e um ar de calor a um espaço. Uma simples jarra com folhas verdes é uma animação e dá à decoração um toque de tropicalidade que tem tudo a ver com os dia mais quentes.
Colocar numa mesa uma toalha divertida com pratos coloridos também não é caro e pode ser uma onda de boa disposição.

Há alguma regra que possa ser posta em prática?

Decoração tem algumas regras mas a parte mais divertida é quebrar com quase todas e deixar o nosso instinto fazer o que lhe apetece. O chamado “gut felling” está provado ser o nosso melhor conselheiro. Seguir os nossos instintos!

Misturar pode dar bons ou maus resultados. O que pode sugerir.

Tentar partir de colaborações de cores que já vimos testadas em algum lugar. Olhar para a moda, para a pintura, para a natureza… as respostas estão à nossa volta!

Concorda com a ideia de que os portugueses são ainda conservadores no uso da cor em suas casas? O que pensa, gostam de jogar pelo seguro?

Os portugueses começam por ser conservadores na maneira como se vestem, nas conversas que têm, na forma como se cumprimentam, como falam uns com os outros (ou como não falam)… como não haveriam de ser conservadores nas suas casas? – As nossas casas são o espelho da nossa alma, do nosso estado de espirito… da nossa felicidade. Uma alma cinzenta dificilmente cria um ambiente colorido e divertido.

A cor, já se sabe, desenvolve papel fundamental na luminosidade de uma casa. Que sugestões, simples e acessíveis, pode dar.

Se o problema passa por o espaço ter falta de luminosidade, então, a sugestão mais simples que posso dar é que pintem as paredes de branco. Automaticamente o espaço dobra por ilusão de otica. O branco reflete a luz de uma forma que faz qualquer espaço parecer maior. – O uso estratégico de espelhos também pode ser um grande auxiliar em criar mais luminosidade e multiplicar a ilusão de espaço.

De que cores mais gosta? Segue as tendências?

Adoro quase todas as cores e não sigo tendências. Não é por a Pantone ter decidido que o verde esmeralda é a cor oficial de 2013 que vou usar verde numa decoração. Uso verde, se o espaço o pede, se penso que vai resultar bem, se o cliente gosta e se sente confortável…. Essas são as máximas que me levam a fazer uma escolha. Toda a vida usei amarelo em decoração porque é uma cor de alto astral energético, sempre fui atraída por amarelo. De há uns anos para cá virou tendência e algumas pessoas passaram a usar “porque sim.” Honestamente, os critérios que uso para decorar passam muito pouco pelas tendências. Isto não quer dizer que não goste de estar informada e que saiba o que se faz e o que está disponível no mercado. As cores podem ser as mesmas mas os materiais vão mudando… existe sempre uma evolução.

Moda e decoração em eterna ligação. Mas na sociedade actual, ao ritmo a que as coisas acontecem é impossível estar sempre a mudar, então o que fazer?

A solução passa por não ligar assim tanto às modas e ás tais tendências e fazer aquilo com que nos identificamos e escolher as cores e os estilos que realmente têm a ver connosco e com a nossa natureza.

Todos sabemos que não há receitas milagrosas para uma casa feliz, mas com a sua intuição e numa altura de grande aperto económico, por onde devemos começar e sem investimentos avultados.

Devemos começar por manter a nossa casa limpa, arrumada e sem excessos. Devemos guardar menos e dar mais. Devemos restringir-nos a vivermos somente com aquilo que precisamos efectivamente. É um exercício difícil (não digo que seja fácil…) mas é muito libertador. – Depois, mesmo que não haja dinheiro para grandes remodelações…. Ter duas ou três molduras bonitas com fotografias de momentos felizes, colocar uma planta bonita e grande num vaso, ter flores frescas numa jarra (nem que seja só uma vez por mês), uma vela de cheiro a arder e luz de velas espalhadas, um bom CD a tocar e uma mesa bem posta com a família reunida. São essas coisas que fazem uma casa feliz!